OBJETIVO: A busca da saúde feminina através do exercício da feminologia clínica.
MISSÃO: Desenvolvimento de uma nova tecnologia de abordagem clínica para a mulher, através de uma equipe multi e trans disciplinar com bases em uma filosofia feminológica.
Entende-se por esta definição de objetivos, que nossa instituição procura duas metas ideais: a saúde integral da mulher (física, emocional e existencial) e o desenvolvimento de novas tecnologias de abordagens clínicas. Estas abordagens necessitam de seus participantes uma atuação criativa, indo além dos conceitos e práticas apreendidos formalmente nas faculdades, mas desenvolvidos dentro de uma abordagem sistêmica da vida.
Para isto tornar-se uma realidade e existir na prática cotidiana de nossa clínica, nossas bases de pensamento fogem aos modelos tradicionais bio-médicos.

"A verdade não se torna mais verdadeira porque o mundo inteiro concorda com ela, nem menos verdadeira, mesmo que o mundo inteiro discorde dela". More Nevuchim II:15
Os Treze Princípios da Fé – segundo Maimônides "Ani Maamin" – Creio plenamente:
- Creio plenamente que D’us é o Criador e guia de todos os seres, ou seja, que só Ele fez, faz e fará tudo.
- Creio plenamente que o Criador é um e único; que não existe unidade de qualquer forma igual à d’Ele; e que somente Ele é nosso D’us, foi e será.
- Creio plenamente que o Criador é incorpóreo e que está isento de qualquer propriedade antropomórfica.
- Creio plenamente que o Criador foi o primeiro (nada existiu antes d’Ele) e que será o último (nada existirá depois d’Ele).
- Creio plenamente que o Criador é o único a quem é apropriado rezar, e que é proibido dirigir preces a qualquer outra entidade.
- Creio plenamente que todas as palavras dos profetas são verdadeiras.
- Creio plenamente que a profecia de Moshê Rabeinu é verídica, e que ele foi o pai dos profetas, tanto dos que o precederam como dos que o sucederam.
- Creio plenamente que toda a Torá que agora possuímos foi dada pelo Criador a Moshê Rabênu.
- Creio plenamente que esta Torá não será modificada e nem haverá outra ortorgada pelo Criador.
- Creio plenamente que o Criador conhece todos os atos e pensamentos dos seres humanos, eis que está escrito: "Ele forma os corações de todos e percebe todas as suas ações" (Tehilim 33:15).
- Creio plenamente que o Criador recompensa aqueles que cumprem os Seus mandamentos, e pune os que transgridem Suas leis.
- Creio plenamente na vinda do Mashiach e, embora ele possa demorar, aguardo todos os dias a sua chegada.
- Creio plenamente que haverá a ressurreição dos mortos quando for a vontade do Criador.

Oração do médico Autoria atribuída a Maimônides:
"Ó D’us, Tu formaste o corpo do homem com infinita bondade; Tu reuniste nele inumeráveis forças que trabalham incessantemente como tantos instrumentos, de modo a preservar em sua integridade esta linda casa que contém sua alma imortal, e estas forças agem com toda a ordem, concordância e harmonia imagináveis. Porém se a fraqueza ou paixão violenta perturba esta harmonia, estas forças agem umas contra as outras e o corpo retorna ao pó de onde veio. Tu enviaste ao homem Teus mensageiros, as doenças que anunciam a aproximação do perigo, e ordenas que ele se prepare para superá-las.
"A Eterna Providência designou-me para cuidar da vida e da saúde de Tuas criaturas. Que o amor à minha arte aja em mim o tempo todo, que nunca a avareza, a mesquinhez, nem a sede pela glória ou por uma grande reputação estejam em minha mente; pois, inimigos da verdade e da filantropia, ele poderiam facilmente enganar-me e fazer-me esquecer meu elevado objetivo de fazer o bem a teus filhos.
"Concede-me força de coração e de mente, para que ambos possam estar prontos a servir os ricos e os pobres, os bons e os perversos, amigos e inimigos, e que eu jamais enxergue num paciente algo além de um irmão que sofre. Se médicos mais instruídos que eu desejarem me aconselhar, inspira-me com confiança e obediência para reconhecê-los, pois notável é o estudo da ciência. A ninguém é dado ver por si mesmo tudo aquilo que os outros vêem.
"Que eu seja moderado em tudo, exceto no conhecimento desta ciência; quanto a isso, que eu seja insaciável; concede-me a força e a oportunidade de sempre corrigir o que já adquiri, sempre para ampliar seu domínio; pois o conhecimento é ilimitado e o espírito do homem também pode se ampliar infinitamente, todos os dias, para enriquecer-se com novas aquisições. Hoje ele pode descobrir seus erros de ontem, e amanhã pode obter nova luz sobre aquilo que pensa hoje sobre si mesmo.
"D’us, Tu me designaste para cuidar da vida e da morte de Tua criatura: aqui estou, pronto para minha vocação."

Justificativas: As características do Modelo Tecnocrático de Medicina eram: 1) Separação mente/corpo. 2) O corpo visto como uma máquina. 3) O paciente visto como objeto. 4) Alienação do profissional em relação ao paciente. 5) Diagnóstico e tratamento de fora para dentro (curando doenças, concertando disfunções e não atendendo a pessoas). 6) Supervalorização da ciência e da tecnologia em detrimento do carinho e da solidariedade. 7) Intervenção agressiva com ênfase em resultados em curto prazo. 8) Autoridade e responsabilidade inerentes ao provedor de atenção, não ao paciente. 9) Desvalorização dos valores e princípios femininos e alinhamento com os masculinos. 10) Insistência na superioridade da tecnomedicina e intolerância com outras modalidades de medicina. 11) Um sistema impulsionado pelo lucro como meta única. A única razão da existência do curador nestes serviços seria o ganho material, dinheiro...
O Modelo de Medicina Holístico (Bio-Psico-Social) aplicado à clínica feminológica: 1) Unidade corpo-mente-espírito-sociedade. A paciente como sujeito relacional. 2) O corpo como um sistema de energia conectado a outros sistemas de energia. 3) A cura da pessoa como um todo em seu contexto. Foco na prevenção de doenças. 4) Unidade essencial entre o provedor de atenção e o cliente. Ligação entre o paciente e o provedor de atenção, caracterizada pela atenção e cuidados 5) Diagnóstico, tratamentos e curas documentadas e publicadas em revistas científicas. 6) Ciência e tecnologia a serviço do indivíduo, contrabalançada com humanismo. A tecnomedicina como base, mas com abertura em relação a outras modalidades de medicina. Equilíbrio entre as necessidades da instituição e dos indivíduos. 7) Foco na criação e manutenção da saúde e bem-estar em longo prazo. 8) Autoridade e responsabilidade inerente a cada indivíduo. Informação, tomada de decisões e responsabilidade compartilhada entre paciente e profissional de saúde. 9) O lucro econômico como parte necessária para a sobrevivência do sistema. Atenção impulsionada pela compaixão. Dar com desprendimento é um ato que nos enche de energia. 10) Alinhamento com princípios femininos.

O projeto terapêutico da CBAM A saúde não é mais atributo de uma profissão médica hiperespecializada. Ela é, antes de qualquer coisa, uma tomada individual de consciência.
Para se desenhar o projeto terapêutico da Clinica Berenstein de Assistência à Mulher, é preciso hierarquizar a enfermidade. Hierarquia significa ordem dada pelo mais antigo. A linguagem com que se traduz para a paciente, sua enfermidade e um primeiro e muito importante ponto. Dar diagnóstico, rotular pela lesão e tratar apenas pela queixa da paciente, é o que fazem as outras clínicas.
“Pensa como pensam os sábios, mas fala como falam as pessoas simples” (Aristóteles). Meus anos de prática, cuidando de mulheres, me mostraram que aqueles que procuram ajuda, pertencem a dois grandes grupos: os doentes que ativamente procuram contribuir para a própria saúde e aqueles que esperam passivamente que outros lhes devolvam a saúde.
Infelizmente, o segundo grupo é maior. Provavelmente, isso ocorre porque as clínicas tradicionais de medicina transmitem aos doentes uma fé cega na autoridade médica e obediência sem consciência ou críticas. Os representantes dessa escola de medicina exigem que o paciente, sem entender o sentido do tratamento e sem pedir qualquer esclarecimento, siga rigorosamente as instruções.
Geralmente, o paciente recebe um papel onde estão escritas algumas palavras incompreensíveis. Ele deve levar o papel para uma farmácia, onde recebe comprimidos, pó e gotas, que deve tomar, sem questionar e sem uma metodologia de auto observação.
Parece que o médico tem medo de perder a sua dignidade ao conversar com o paciente, ao esclarecer o significado do tratamento e como autoperceber-se. Desta forma, médico o tornou-se um ditador que tudo sabe e o paciente, em muitos casos, um objeto totalmente passivo e submisso a um tratamento que ele não compreende. Essa atitude errada teve, com o passar dos anos, influência desastrosa sobre a mentalidade dos doentes. Hoje, sofremos as conseqüências.
Antes de tudo, o profissional de saúde precisa fazer o possível para levar o doente a pensar e raciocinar de maneira independente. Este é o bê-á-bá para encontrar o caminho da verdadeira cura. Às vezes, essa tarefa é longa e difícil. O doente simplesmente exige ser tratado como criancinha. Se sugerirmos que leia livros ou publicações que descrevem sua doença e a cura, muitas vezes ele é preguiçoso e indiferente demais para criar ânimo e ler. O dia em que ele está novamente por conta própria, cai — por ignorância ou comodidade — na velha rotina que provocou a doença.
Se não for possível despertar sua responsabilidade e sua vontade, dedicamos a ele, inutilmente, força e tempo que poderiam ser mais bem aproveitados. Porém, antes de entregar este paciente ao seu destino, precisamos fazer tudo para incentivá-lo à auto ajuda. A evolução de uma doença nunca é igual em todos os detalhes. Os diversos processos ocorrem no organismo com inúmeras variações. Somente o próprio doente pode sentir as sutilezas e particularidades de suas reações e sensações.

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