Dr. Eliezer
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Olhos que não vêem, coração que não sente?

Para se entender as bases da feminologia e compreender o porque de certas doenças femininas, é preciso rever o conceito de saúde e doença.

Para que uma mulher seja considerada um ser humano sadio, a lógica corrente da medicina clássica nos diria que basta não podermos diagnosticar nela nenhuma enfermidade. Nem física, psíquica ou nem mesmo social.  Mas como ser uma mulher saudável numa sociedade tão doente como a nossa? Como não ver a realidade que nos cerca e nem sentir o que sentimos.

Os povos primitivos entendiam a enfermidade como uma entidade externa a nós, que em uma determinada condição nos invadiria o organismo nos transformando em um ser doente. Hoje com os conceitos adquiridos pela psicossomática sabemos que nem sempre é assim. Muitas doenças dependem de nossa sensibilidade e características de nossas reações aos agressores.

Várias pessoas podem entrar em contato com um agente nocivo e só uma delas reagirá de forma a sofrer de uma enfermidade e até adoecer. Isso pressupõe que para que um agente altere a pessoa, esta pessoa teria de ter esta suceptibilidade.

Lindo, mas o que é que isto tem a ver com o titulo deste texto: Olhos que não vêem, coração que não sente?
Tem a ver porque o coração feminino não precisa ver tanto quanto o masculino para sentir. Tem a ver porque na prática médica diária percebe-se que mulheres inteligentes, mas extremamente sensíveis muitas vezes se “enfermam” porque em  nosso meio, a crise em que estamos mergulhados, não precisa obrigatoriamente ser vista mas que é facilmente sentida. Principalmente pelas mulheres.

Mulheres têm em seus ciclos menstruais várias fases ao mês na dependência de quais hormônios estão em alta e quais estão em baixa.  Mulheres gestam, amamentam e educam seus filhos e se solidarizam com as outras mães. Mulheres tem o sexto e quem sabe mais outros sentidos.

E o caos que as cercam em cada farol da nossa metrópole as sensibiliza. Não é incomum uma mulher borrar a maquiagem ao ver as crianças exploradas pelos adultos a mendigar.
É que muitas vezes mesmo que os olhos de uma mulher não vejam, seu coração enxerga. E ele sente...

lágrima é dor derretida
dor endurecida é tumor
lágrima é alegria derretida
alegria endurecida é tumor
lágrima é raiva derretida
raiva endurecida é tumor
lágrima é pessoa derretida
pessoa endurecida é tumor
tempo endurecido é tumor
tempo derretido é poema

Poema de Viviane Mosé