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Relatório médico da Sra. DaSelite

"Somente a consciência individual do agente dá testemunho dos atos sem testemunha, e não há ato mais desprovido de testemunha externa do que o ato de conhecer”. Olavo de Oliveira


Relatório médico não confidencial
A paciente “Sra. DaSelite” Brasileira, 35 anos, natural e residente no Brasil, internada nesta UTI Psiquiátrica Coletiva, apresenta os seguintes diagnósticos clínicos:

  1. Ansiedade Geral Coletiva frente ao roubo de sua dignidade, paciência e inteligência humana.
  2. TPM , (Tesão Por Mudanças) Gravíssima e que, se não descer logo o fluxo de mudanças afirma que vai descer tanto sangue que não haverá Modess suficiente para os políticos nacionais.
  3. Falência Múltipla de Órgãos (Governamentais principalmente).
  4. Septicemia causada por germens congressistas oportunistas resistentes aos antibióticos do tipo CPImicina, Conselhos de Éticamicina e Sindicanciomicina genéricos, logicamente.
  5. Febre alta e delírios internáuticos clamando por sua salvação.
  6. Gangrena de sua esperança, com Necrose de sua Auto Estima.
  7. Hemorróidas sangrantes e dolorosas, subseqüente a violentos ataques de Estupro Anual de seus orifícios por Órgãos governamentais como Infraeros, Anacs e outros vibradores e contaminadissimos órgãos sexuais governamentais.
  8. Rouquidão de tanto pedir democraticamente por justiça, ética e trasparência.
  9. AVC (Acidente Voador Congonhobilo) gerado possivelmente por escassas pistas.
  10. Coma profundo desde que o Brasil foi descoberto.

A equipe médica coletiva e a população que a compõem este serviço, manterá novos boletins quinzenais, no aguardo de que a paciente reaja.        

Assina este relatório:

Dr. Eliezer Berenstein
Feminologia social

 

O Príncipe Lulla usou a medicina para se explicar como sentia na semana passada  (próximo a 25/07/2007) usando seus saberes da linguagem médica. Sentia-se o no$$o presidente, como alguém que se surpreende com várias metástases, mas que nem mesmo sabia que estava doente. Se um político pode usar o conceito médico de metástase para explicar sua perplexa e complexa CONDIÇÃO POLÍTICA, um médico pode usar as expressões políticas para explicar como ele se sente DOENTE POLITICAMENTE.

Como após 1968, ano do fim de minha militância rebelde em movimentos juvenis (onde acreditava que as revoluções passavam pelos canhões), dediquei-me a uma militância consciente, porem passando pelo ato de ajudar, dentro da medicina feminina diária (abracei a feminologia acreditando que as revoluções poderiam, passar também pelo receituário ou a atenção e carinho) e aceitei considerar-me um burguês alienado exercendo uma profissão nobre, num país de terceiro mundo, aderindo a atuação individual silenciosa, e assim desapeguei-me do Imbecil Coletivo.

O exercício da autoconsciência, que busca sistematicamente dar nexo ao saber, o ser e o agir, numa unidade de Consciência Individual são difíceis. Perguntas como: Estou sabendo tudo o que devo saber? Estou sendo o que eu quero e devo ser? Estou agindo como deveria agir? Será que a busca da meta da sabedoria em si, já era a conquista?

Buscando constantemente ter este nexo individual, sempre que surgiram a minha frente movimentos sociais aos quais eu poderia me engajar (sem ser usado insinceramente pela Imbecilidade Coletiva), eu colido com o dilema do encontro do senso pessoal da verdade.  Individualmente, quase sempre o encontro, coletivamente, sempre eu o perco. As grandes instituições geralmente me assustam. Meu próprio consultório médico quando cresce e parece virar uma clinica, é uma instituição que já me assusta.

A insatisfação coletiva com a nossa situação sócio política vem gerando aparentemente saudabilíssimos movimentos de manifestação, tipo: “Cansei”, “Nossa São Paulo” e outros mais.
Voltando a usar metáforas médicas para explicar tudo politicamente: “a paciente população consciente” que os cancerosos políticos com metástases psíquicas de insensibilidade, instituídas no poder pelo Imbecil Coletivo nacional, manifestado na ultima re-elleiçao, e que nos tratam como sendo os “DASELITE”, percebem seus sintomas próprios mais sutis de indignação, gerando um Quadro clinico grave de insatisfação, resolvem agir  vamos rezar para que estes movimentos de reação saudável também tenha muitas metástases.

P.S.
“(...) (Represente que o homem é um poço escuro)”.
Aqui de cima não se vê nada.
(Mas quando se chega ao fundo do poço já se pode ver o nada).
Perder o nada é que é um empobrecimento “... Agora é só puxar o alarme do silêncio que eu saio por aí a desformar (...)”.
Manoel de Barros