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Carnaval, Feminologia e Silicone
O HOMEM E A MULHER Victor Hugo
O homem é a mais elevada das criaturas. A mulher, o mais sublime dos ideais. Deus fez para o homem o trono; para a mulher um altar. O trono exalta, o altar santifica. O homem é gênio; a mulher é anjo. O gênio é imenso, o anjo é indefinível. Contempla-se o infinito, admira-se o inefável. A aspiração do homem é a suprema glória; a aspiração da mulher é a virtude. A glória faz o grande, a virtude faz o divino. O homem tem a supremacia; a mulher, a preferência. A supremacia significa a força, a preferência representa o direito. O homem é forte pela razão; a mulher é invencível pelas lágrimas. A razão vence, as lágrimas comovem... ...O homem é um templo; a mulher é o santuário. Ante o templo nos descobrimos, ante o santuário nos ajoelhamos... ...Enfim: o homem está colocado onde termina a terra; a mulher, onde começa o céu.
Com a chegada do carnaval, o país prepara-se para mostrar ao mundo nossa prodigiosa fábrica de seios siliconados, nádegas infladas e outras globelezas nacionais. A porcentagem de mulheres operadas x belezas autênticas da telinha pocototizada irá demonstrar uma faceta cruel da medicina aos olhos de quem ainda é sensível e tem um olhar crítico e associado a um cérebro pensante. E não adianta não olharmos e fugir das urbes. As imagens nos irão perseguir nas vitrines, saguões de hotéis ou jornais. Os altares carnavalescos as deusas esculpidas nos bisturis contrastarão com a real mulher brasileira.
Victor-Marie Hugo nascido neste 26 de fevereiro de 1802 em Besançon e morto em 1885 em Paris, com certeza mudaria algumas frases de sua célebre comparação acima, ao assistir a um desfile carnavalesco.
Seria algo como:
O homem moderno é a mais primitiva das criaturas. A mulher moderna, o mais sublime dos ideais de consumo. A globo fez para o homem o trono em frente à tela; para a mulher o altar das destaques. O trono o embrutece, o altar a desqualifica. O homem é in gênio; a mulher é arranjo. O in gênio é manso, o anjo televisivo é falso.
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