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Egonorâncias e Ignorâncias
“Em mim ressoa uma ordem:
- Cava! Que vês?
- Homens e pássaros, pedras e flores.
- Cava mais! Que vês?
- Idéias e sonhos, clarões, fantasmas...
- Cava mais ainda! Que vês?
- Nada. Uma noite densa, muda, surda como a morte. Deve ser a morte.
- Cava mais um pouco!
- Ah! Não consigo penetrar mais a muralha negra! Ouço gritos e prantos. Ouço frêmitos de asas que vêm da outra margem!
- Não chores, não chores, não vêm da outra margem! Os gritos, os prantos e as asas... vêm do teu coração”
Do poeta Nikos Kazantzakis autor de Zorba, o grego
A maratona de notícias envolvendo sexualidade e crimes escandalizantes das últimas semanas, nos remete ao quanto ainda falta a caminhar para que os seres Homo sapiens sejam humanos.
Entre o monstro Austríaco que teve filhos/netos por tomar sua filha como parceira sexual e o mito que se confunde em identificar o gênero de suas parcerias noturnas, nos resta pensar que, parece estar faltando a estes nobres varões (ops...) “instrumentos” para lidar com as forças primitivas que mobilizam a sua sexualidade.
Nascidos em países diferentes e com “educações sexuais” oferecidas em meios e escolas diferentes, que ambos devem ter freqüentado, esta educação não os livraram de suas fraquezas (se é que assim se pode chamar os impulsos doentios que os motivaram). Educação sexual, algumas vezes (equivocadamente) é tida como sinônimo de formação sexual. A informação a respeito da reprodução e do sexo que é chamada de educação sexual, nem de perto nos “instrumentalizam” a ser sexualmente saudáveis.
E ser doente sexualmente, envolve ser “tratado”, “punido” ou tornado evidente a opinião pública às vezes mundial. As taras do anônimo Austríaco ou do ídolo da sociedade de consumo dos esportes, têm em comum esta “desinstrumentalização” que ambos tiveram para lidar com suas subjetividades.
Um indivíduo ignorante não sabe nada das coisas que o cercam e um egonorante nada sabe de si, das coisas que o compõem. A ambos falta o único valor capaz de dar a chance de alguém salvar-se: A consciência. A consciência de quem se é, e de como o mundo é. E mesmo assim vai faltar muito para saber como é o seu inconsciente. Projetos educacionais podem salvar o mundo da ignorância. Mas e como salvar a humanidade da egonorância?
Pobre de quem tem que passar o tempo todo conhecendo egonorantes e ignorantes através de noticiário policial e constatar o quão pouco podemos fazer por eles.
“- A esperança, muitas vezes, é um cão de caça sem pistas.”
(William Shakespeare – poeta e dramaturgo inglês)
Pena que não me restam nem mesmo esperanças.
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