Dr. Eliezer
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Terapia de Reposição amornal

Lentamente e sorrateiramente ele vem chegando. Nós educando os filhos e nos constituindo, e ele chegando.
Na verdade vinha dando pequenos sinais mensais nos dias, que antecediam a menstruação.
Aparecia uma angústia imotivada, uma vontade de chorar, às vezes escondida, para não chamar atenção dele. Um choro com gosto de saudade não se sabe do quê.
Mas vinha o sangue  da paz, e tudo voltava a rotina. Só no próximo mês é que  voltava quando a gente já tinha esquecido como fora e quando fora, que a gente havia se sentido uma mulher sem falta. Falta do quê?
Mas a roda da vida do cotidiano não deixava muito tempo para pensar no que faltava, pois se tinha muito no que pensar que havia. No que havia para fazer.
No que havia pra comprar, no trânsito que parava, na sobrevivência que não parava de custar mais caro. Pensar no que estava sendo perdido, é de uma nostalgia que não nos permitimos entregar-se.
Estamos adquirindo tanto todo dia, que parece que tudo que se perde, esta sendo reposto.
Quando os filhos começam a tornar-se o que nós éramos, é que se percebe os primeiros sinais da sua falta. Uma menstruação que falha, uma lembrança que não aparece na mente na hora que queremos, uma distância emocional dos que nos cercam fisicamente... e o pior: uma amiga que saiu do médico com uma receita de hormônios porque estava sentindo exatamente a mesma coisa que a gente está sentindo.
Uma falta, de não sei o quê!
E aí o susto:
 – O que você falou pro teu médico que  estava sentindo que ele te deu terapia de reposição hormonal, amiga?.
- Falei que na TPM andava carente, chorava, que os ciclos estavam irregulares, que eu sentia falta de tesão, falta de memória, cansada e coisas assim, como se algo faltasse...
- E ele te deu hormônios para resolver “isto”? Disse que era o quê?.
- Menopausa. E receitou hormônios.
Depois deste dia, logo a gente começa a não mais se sentir como os filhos estão se sentindo, mas como as “mais velhas” haviam contado que se sentiram na sua menopausa.
Alguns meses depois, a mesma amiga te conta que não tomou os hormônios, que havia encontrado um novo amor na vida, que viajara com ele em lua de mel e que a reposição do Amor resolvera tudo!.
Que a reposição do Amor pode dar mais certo que a dos hormônios.
Quantas mulheres estão tomando hormônios para repor o amor que a gente perde porque “ele” está na andropausa e não se deu conta de que “ele” não estava repondo o amor que ela tinha na fase em que a gente era como nossos filhos são hoje?
O que trata o “Amorempausa” não é vendido nas farmácias e poucos médicos e muitos maridos, não sabem diferenciar amorempausa de menopausa.
Que pena!.