Dr. Eliezer
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Mulher atleta e o corpo-magreza na visão feminológica.

Pensei em esperar o fim das Olimpíadas de Pequim para escrever minha opinião gineco-feminológica da participação das mulheres no evento. Infelizmente as imagens da guerra no Cáucaso me deram um tamanho baixo astral que, preferi escrever antes que eu desista de ler noticias que envolvam os homens. Os atletas-soldados (soldados aos tanques) russos contracenavam com as imagens das atletas do vôlei de praia feminino de tal forma que me confirmaram o meu desinteresse pelos representantes do gênero masculino.
Nesta mesma semana um interessantíssimo estudo publicado pela revista
científica Evo
lution and Human Behaviour afirma que mulheres com curvas são mais inteligentes e têm filhos mais espertos. A explicação dos pesquisadores é que os ácidos graxos ômega 3, que se acumulam nos quadris e nas coxas das mulheres, servem de alimento para o cérebro e são essenciais para o desenvolvimento neurológico dos bebês durante a gravidez.
Os pesquisadores Stephen Gaulin, da Universidade da Califórnia, e William Lassek, da Universidade de Pittsburgh, usaram dados do Centro Nacional de Estatísticas de Saúde, nos Estados Unidos, para fazer o estudo e descobriram que a relação cintura-quadril das mães estava diretamente relacionada ao desempenho delas e dos filhos em testes de cognição.
Quanto mais gordura acumulada na parte inferior do corpo das mães, e não na cintura, melhor eram as notas nas provas.
"Coxas e quadris fartos guardam nutrientes essenciais que alimentam o cérebro e podem produzir crianças inteligentes também", disse Gaulin ao jornal The Daily Telegraph. O estudo também concluiu que mães adolescentes têm filhos com problemas cognitivos porque não têm uma reserva suficiente de ácidos graxos, mas os pesquisadores afirmam que as que têm quadris largos acabam sendo menos afetadas pelo problema.
No nosso mundinho globalizado de telespectadores da atual Olimpíada de Beijing, tem-se a impressão de que todas as atletas têm o mesmo corpo e a mesma existência padrão. E que este mesmo corpo seria o melhor para todas as mulheres do mundo: o corpo magro.
Esta forma de corpo é o mais freqüentemente exposto positivamente na Mídia como retrato da mulher saudável. Um corpo esbelto que deve fundir as virtudes atléticas femininas e masculinas em um único ser.
Em se tratando de loucura coletiva, ocorre um consumo dos produtos das indústrias de cosméticos, das academias de ginástica, spas e clínicas de beleza de altos e crescentes lucros, neuroticamente trabalhando para manter a imagem corporal magra tão  almejada pelas mulheres.
Esta imagem anorética se transforma em condição e meio para conquistar atrativos desejáveis, como o da moda, onde o próprio corpo é só o cabide para mostrar dinamicamente na passarela o tubo de tecido que será consumido neste ano, mas que em realidade nada difere dos modelos das ultimas décadas. A mídia influencia de forma incisiva nesta formação do imaginário social. Apesar de sabermos que ela não cria, mas manipula imagens tiradas da própria sociedade, nela há a criação simulada de toda uma realidade perfeita que reduz a individualidade e a subjetividade à zero, tornando-nos mais suscetíveis a aceitar o consumo proposto.
Medicamente, o índice de massa corporal (IMC) de uma pessoa, com peso normal, deve ficar na faixa de 18 a 24. Para calcular o IMC a formula é:



IMC = peso / (altura)2 .

Se, este ser, for um homem apesar de estar acima da media, dificilmente seria barrado como apresentador ou artista.Gisele Bündchen, considerada uma das mulheres mais lindas do mundo e a modelo mais bem paga do mundo da moda, tem IMC de 16,2. 
 




A Mulher Elástico



Assim como uma personagem de desenho animado, a mulher contemporânea tem de ser elástica para dar conta das demandas do cotidiano segundo Maria Helena Fernandes, psicanalista e  doutora em psicopatologia pela Universidade de Paris VII na Revista Mente&Cérebro (2004-2005). Há 20 anos, as modelos, pesavam 8% a menos que a média das mulheres; atualmente a diferença chega a 20%. Segundo ela, “embora a aparência física seja um elemento fundamental para a imagem feminina em diversas épocas e culturas, a magreza nem sempre foi o ideal almejado. Muito pelo contrário”.
Sabe-se pelas estatísticas médicas que no Maximo 8% da população mundial, masculina ou feminina, apresenta um corpo compatível com o veiculado como ideal. Por tudo isto e pensando nos filhos de nossas atletas, acredito que estas notícias também deveriam ser assuntos da mídia.
Como não somos desta minoria e com a auto-estima desembocando numa quase depressão é impossível assistir as Olimpíadas e deixar-se entregar "a dor e a delícia de ser o que é".



Tomei uma decisão: não assisto mais as Olimpíadas porque elas me fazem pensar em medicina