Dr. Eliezer
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Gaza Che, Atacama Gandhi e as mulheres de hoje

Em outubro de 2008 fiz uma viagem para dentro de mim, uma reavaliação da vida aos 57, tendo como cenário o deserto do Atacama, no norte do Chile. Entre os dilemas a que me propus a refletir foi o de re-conhecer quem na vida escolhi como mestre, qual a ideologia adotei para me conduzir a ser útil na vida. Eu chegava os dezoito anos, década de 60, servir ou não ao exercito brasileiro? E após o serviço militar, qual a faculdade me daria uma profissão? Qual o melhor regime social, o Capitalismo ou Socialismo?



Para quem viveu esta fase da vida nos anos 60 sabe que era preciso escolher caminhos. Ser socialista ou capitalista, burguês alienado ou bicho grilo, hippie ou engajado?   Quem seria o mestre, guru ou mito a seguir. O sonho de um mundo melhor, uma atitude para como ser útil para si e para a humanidade, uma base filosófica para alem de uma profissão nos preocupava. Quem era o líder a seguir? Para isto era preciso ter consciência. Entre ser consciente ou alienado estava a diferenca...



Tanto os jovens militantes do Hamas quanto os soldados jovens Israelenses devem estar vivendo este dilema. Quem é seu líder, quais suas ideologias? A que exercito servir ou não servir? Logicamente cada um deles, a sua maneira, deve estar se questionando tanto quanto nós nos questionavamosmos nos anos 60.



A contracultura e suas manifestações pacíficas, contrariando qualquer tipo de guerra, deram a direção a alguns de meus amigos. “Faça amor, não faça a guerra”. E por ai, nada de exercito. Paz e amor e flor...

Mas outros amigos não tiveram esta consciência e foram servir .  Servir ao Exercito Brasileiro e seus comandantes.



Outros amigos acharam um líder: Ernesto Guevara de la Serna, mais conhecido por Che Guevara ou El Che, o mais famoso revolucionário do Seculo XX. Guevara, então braço direito de Fidel, tornara-se um dos principais dirigentes do novo estado cubano: Embaixador, Presidente do Banco Nacional, Ministro da Indústria e guerrilheiro...Esteve oficialmente no Brasil em agosto de 1961, quando foi condecorado pelo então Presidente Jânio Quadros com a Grã Cruz da ordem Nacional do Cruzeiro do Sul. Seu lema entuziasmou alguns dos meus amigos:
"Não há experiência mais profunda para o revolucionário que o ato da guerra.“ ...Segundo o Che.  E alguns amigos foram a luta armada.



Mas minhas amigas da época não precisavam servir a Pátria, nem jurar a bandeira.    Porque?



Eu também queria ser revolucionário. O mundo necessitava uma revolução! Minha vida também.  Ser um burguês alienado seria um suicídio. Com estas idéias em mente quase fui a pratica desta teoria . As armas na mao, caminhando e seguindo a cancao....vem vamos embora que esperar nao é saber...
 Mas para a pratica da revolucao era necessária a morte dos inimigos. E minha essência não me permitiu nem sequer odiar os soldados que batiam nos estudantes que protestavam ruidosamente contra o estabilishment. Alias nem eles nem nós os estudantes, sabíamos bem o que era e quem mandava no establishment...



Outros amigos gritavam por Paz e Amor. Liam Gandhi, fumavam maconha e acreditavam que entregar flores aos soldados era tão revolucionário quanto jogar uma bomba na estação de trem. Eles acreditavam nas Frases de Mahatma Gandhi e passaram a me influenciar :



"Olho por olho e o mundo acabará cego."



"Não há caminho para a paz, a paz é o caminho."



O futuro dependerá daquilo que fazemos no presente.



"O homem arruína mais as coisas com as palavras do que com o silêncio." 



"O medo tem alguma utilidade, mas a covardia não.“



    Como não havia tempo a perder e alguma profissão era necessária, depois de vestibulares para Agronomia(meu pai tinha fazenda e serraria), Psicologia(meu pai achava que gaucho macho que estudava psicologia era bicha, e portantoeu desisti de ser psicanalista), Engenharia(minha mãe judia achava lindo ter um filho no engenaria, e eu fiz um ano e meio desta faculdade), mas finalmente por muitos motivos, entrei na medicina. Por que eu queria. Nao por líder algum ou ideologia nenhuma. Pelo ao menos eu seria útil para algo.
O problema foi quando escolhi fazer ginecologia. A causa feminina me jogou de volta ao dilema: a luta. O Feminismo e seus ideais: A dominação patriarcal das mulheres pelos homens era o protótipo de todas as formas de dominação e exploração : hierárquica, militarista, capitalista e industrialista. Descobri a ecofeminologia e assim vivi os últimos 35 anos, tentando ajudar mulheres. Ajudar a parir, a crescer e a ajudar umas as outras a salvar o Planeta.



Voltando a viagem ao Atacama, enquanto me procurava para saber se eu havia errado ou acertado, num Oasis chamado Pueblo Del Peine, encontrei uma senhora muito primitiva atacamenha, que me tratou de um  mal do deserto me ensinando a mascar corretamente as folhas de coca. Ela resumiu assim a sua vida: cuidar do Oasis. Não tinha ideologia e nem gurus. Fazia o que era preciso e pronto. Uma verdadeira ecofeminista sem tantas filosofias, ideologias, Beti fridmans, etc. Seu lema:¨Quando dejamos morir el bosque , las palabras  pierden el sentido".



Ao lado del Puelo del Peine, seu lar encontrei um lugar onde foram enterrados os 26 corpos de intelectuais chilenos e brasileiros de esquerda, mortos por Pinochet na Caravana de La Muerte. Por seus ideais e por suas ligações com Che Guevara, foram amarrados nesta Caravana de la Muerte pelas pernas e obrigados a caminhar pelo deserto até  morrer. A cada cadáver, os amigos eram obrigados a arrastar até que o ultimo morreu em Calama em 19 de Outubro de 1973. La eu cheguei na noite de 19 de outubro de 2005. Reconheci neles ,  os amigos que haviam escolhido a luta armada e o Che como lider. Rezei o Kadish por eles e chorei porque haviam feito aquela escolha e nunca viram os frutos de suas vidas. Quando nao se tem uma forte consciencia, qualquer lider é lider.
Hoje vejo as fotos dos jovens soldados Israelenses e a dos jovens guerrilheiros do Hamas. Estão sendo liderados por alguém ou por uma ideologia? Estão conscientes de suas escolhas? Que sabem de  Paz e de  Amor? Estao jogados nestas batalhas como buchas de canhoes sem ter consciencia de quem os lidera nem porque ideologias...
Para alguem
não se tornar um soldado ou um guerrilheiro  é preciso ter muita consciencia. E as escolas e os pais de qualquer parte  do mundo nao, nao, estao ensinando nem ciencia e nem consciencia aos jovens.
Tv, internet, escolas, etc. nao formam seres conscientes.
 



Quando um jovem  é ensinado a saber de sí e não a obedecer a comandantes errados, não se formam soldados e nem guerrilheiros. Quando se tem consciência do que são as ideologias e quem as manipula. não ha soldados de um lado e nem guerrilheiros do outro.  "Quando um homem não encontra a si mesmo, não encontra a nada“  ( Goethe)MAs quando um homem sabe se sí , nao deixa que o outro o torne um fantoche...
E quem sabe de sí, não faz o que o Comandante Che manda, mas o que ele mesmo para sí recomenda. Neste mundo de feras  predomina a mais temível de todas as feras: o ser humano. E ser um ser humano deveria ser  negar-se a ser comandado.  Nem por Obamas, Hamas ou Livis.



"A guerra é um massacre de homens que não se conhecem, em benefício de outros que se conhecem mas não se massacram." (Paul Valéry)



Yitschak Rabin em seu ultimo discurso disse antes de ser morto por um jovem ideólogo judeu:... o caminho da paz é preferível que o caminho da guerra... e não há caminho para a Paz. A Paz é o caminho... 



Neste instante me dou conta de como é bom  que as mulheres não servem aos exércitos. (Só acontecem com algumas, e estas ainda não sabem que o ecofeminismo é uma  ideologia) . Elas servem silenciosa e fortemente ao Ecofeminismo...  



Espero que as mulheres continuem na luta silenciosa e eficiente do Ecofeminismo enquanto é tempo pois os Homo Demens continuam com suas guerras.



E neste ultimo minuto apareceu mais um líder: Obama...  Tudo de novo?