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O FEBEAPÁ,aborto e midia
O Festival de Besteira que Assola o País - FEBEAPÁ, segundo o saudoso Stanislaw Ponte Preta (Sérgio Porto) iniciou-se “na vigência da Redentora, apelido do golpe militar de 1964”. Mas as besteiras atuais que assolam o Brasil parecem tão atuais e são retratadas semanalmente na midia. Quando uma revista está com falta de assunto colocam um caderno especial sobre saúde. Nesta semana, uma delas tentou tratar do assunto aborto e conseguiu mais um épico do Febeapa, que como diria a Tia Zulmira, um dos personagens do Stanislaw, esta - Mais monótono do que itinerário de elevador... O assunto é tão serio e complexo que no dito Primeiro Mundo, já fizeram legislações discutidas democraticamente e complicadíssimas para normatizar o comportamento das pessoas (homens e mulheres grávidos). O problema só faz crescer e a insatisfação permanece. Já no segundo e terceiro (i)Mundo, onde os milhões de humanos vivem abaixo da linha de pobreza, vítimas da violência social e onde o sucateamento da saúde pública associa-se ao péssimo sistema de ensino, se as pessoas tem dificuldades de realizar uma simples soma ou leitura, deliberar se interrompem uma gestação ou não e por que método, é mais confuso ainda. Argumentos demagógicos de políticos, legisladores e religiosos não podem se somar a opiniões de médicos e serem publicadas como verdades jornalísticas. Mas como feminólogo há 20 anos e ginecólogo há 30, sempre que uma cliente ou casal encontra-se neste turbilhão que são esses momentos , me vem a mente outro autor carioca e sua “sabedoria”: Nelson Rodrigues. Numa de suas mais polêmicas tiradas dizia: Sou contra a pílula e ainda mais contra a ciência que a inventou, a saúde pública que a permite e o amor que a toma. Como médico é tão difícil aconselhar a uma mulher o que fazer se sua gestação é inesperada ou indesejada, quanto é delicado aconselhar nos casos de fetos com mal formação incompatível com a vida digna. Sempre que estou frente a estas questões, volto ao mesmo Nelson Rodrigues: É preciso ir ao fundo do ser humano. Ele tem uma face linda e outra hedionda. O ser humano só se salvará se, ao passar a mão no rosto, reconhecer a própria hediondez. E complemento: a face linda e a hedionda sempre sofre nesta questão delicada. As reportagens tentam mostrar as justificativas dos de face linda que provocaram feticídios para não estragar a carreira profissional e os profissionais feticidas também de face lindas opinando demagógica e superficialmente. Ha uma grande distância em sofrer um aborto (perder uma gestação) e o feticídio para não se sacrificar na vida. Mas apesar desta distância, ambas as situações marcam para toda a vida. A todos os conscientes. Os idiotas continuam a alimentar o FEBEAPA. A discussão destas questões merece muita sabedoria. Do mesmo Nelson Rodrigues para nos ser útil: Outrora, os melhores pensavam pelos idiotas; hoje, os idiotas pensam pelos melhores. Criou-se uma situação realmente trágica: — ou o sujeito se submete ao idiota ou o idiota o extermina.
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