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Dói. Dói muito, como dói.
Dói. Dói muito, como dói. Dói mais ainda porque podia não ter doído. Jorge Forbes
A morte de um paciente de um médico é uma tragédia para esta família e para este profissional. Centenas de mortes acidentais parecem ser meras estatísticas para quem fica. Esta realidade traz à tona o eixo que atravessa os nossos relacionamentos. Somos todos potencialmente as vitimas da violência urbana, dos acidentes aéreos e terrestres, mas me assusta que a minha passagem será um mero numero na estatística. A morte, o luto, a ausência física e a dor da saudade , apesar de sempre presentes no dia-a-dia de todos só se torna tragédia, deixando de ser estatística, quando são próximas de todos. Os ditos populares como o “Relaxe e goze!” da saudosa ministra do turismo são verdades simples, ou melhor, “mentiras essenciais” da nossa vida. Existem, única e exclusivamente, para colorir o preto e branco sem graça a nossa “tragédia” existencial. Escrever sobre qualquer acidente de grandes proporções é mais fácil a quem escreve, do que falar da dor quando se esta vivendo o luto na própria vida. E quando não ha uma explicação para a ocorrência das tragédias, quando parecem surgir do nada e abatem indivíduos e as vezes uma coletividade, ficamos cônscios da fragilidade da vida. A dor coletiva é diferente da dor individual. E Segundo Jorge Forbes: “Dói. Dói muito, como dói. Dói pelos que foram queimados” e acrescento:.. Dói. Dói muito, como dói. Dói pelos que foram afogados nas enchentes do nordeste. Dói porque no fundo – todos poderíamos ser o numero na estatística. Dói. Dói muito, como dói , porque podia não ter ocorrido nada disto. Mas ainda citando o mestre Jorge Forbes de quem tanto aprendo: A morte nunca é natural para o humano. Se fosse, não haveria velórios, nem enterros, nem dia de lembrança dos mortos. Não há morte conhecida e morte desconhecida – ela é sempre desconhecida porque morte, assim como o amor, não se entende. Somos milhões enlutados atualmente no Brasil e no mundo. Pelos que são números nas estatísticas e pelos que somos “nós”. Sempre do Forbes : Silêncio! Não é à toa que se faz um minuto de silêncio. Os momentos fundamentais de nossas vidas exigem o silêncio, o mais profundo dos sons. Da mesma forma que a solidão é um momento supremo de dor, a dor é um momento supremo de solidão. Não há dor coletiva, há dor compartilhada ou não. A vida às vezes me parece uma festa e outras um velório coletivo.
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