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Amordicina é outra coisa
Para mim o sentido da vida é uma escolha permanente entre o ser humano agressivo, competitivo, que está instintivamente dentro de nós e o potencial de ser humano cooperativo, convivial, amoroso que também está em nós.(Marcos Arruda)
Tenho o contacto diário com médicos, doentes (ou melhor clientes saudáveis ou não) , enfermeir(os/as), fisioterapeutas, enfim cuida dores de varias áreas do espectro de ajuda dores do outro. Sim, pois a prática da amordicina pode ser feita por muitos Outros que não só os formados nas faculdades de medicina clássicas. Mas um dos maiores aprendizados que obtive ultimamente não foi com um cientista medico, mas sim um Economista do Amor. Gostaria de partilhar estes conhecimentos com vocês outros. Como define Marcos Arruda “a pratica clinica amorosa se chama cuidado : agir com a atenção e o coração voltados para o outro.” Ainda segundo este autor existe duas perspectivas neste cuidado: a que herdamos do Patriarcado ou perspectiva egocêntrica, e a outra vinda do Matriciado ou perspectiva ecocêntrica. Na primeira perspectiva o outro por ser diferente de nós, é visto como uma ameaça. Na perspectiva ecocêntrica o outro é entendido e atendido como o sermelhante a nós apesar de “ser o que não sou”. Nossa sociedade capitalista e competitiva esta matando (não sem a anuência de nós médicos) a medicina exatamente por falta de amor e por muito desejo de lucros. O outro nesta perspectiva é o freguês do plano de saúde A ou B, ou do SUS, mas nunca o meu cliente/paciente. Assim também o planeta não é meu e eu posso alienar-me do processo de destruição que os outros estão fazendo com o planeta deles. E sem “ser- com- o -outro” segundo ainda mestre Marcos Arruda, nos torna um Ser Solitário ao invés de um Ser Solidário. Esta é uma relação humana que carrega trabalho, energia, que tem, pois, uma dimensão invisível tão real e dinâmica quanto a visível. Nesta era do Homo economicus buscar o Homo sapiens – amans-amans que existe em cada um deveria ser uma meta de todos nós, uma vez que só poucos já alcançaram este estagio. Somente as pessoas sinceramente interessadas na dor humana e do outro que lhe esta próximo ou não, conseguem perceber que a aceitação e a inclusão do outro, nos enriquece e amplia. A submissão, exclusão ou destruição do outro me empobrece e me reduz. Estas reflexões baseadas nos escritos de Marcos Arruda(Educação para uma economia do Amor), seguem sua premissa de que a partilha de informações que podem empoderar o outro em seu auto desenvolvimento me empodera, me amoriza, é amordicina feita por todos para cada um de nós. Tudo deve ser feito “para percebermos que assim como nós somos um centro do mundo, cada outra pessoa é também um centro do seu mundo e tem que ser respeitada como tal”. É na escolha voluntária de adesão ao altruísmo, à convergência e ao pleno acolhimento do outro que se realiza o amor. Então, essa busca de transcendência não tem nada de apenas abstrato, ela deve se converter no nosso modo de vida nessa vida terrena.(Marcos Arruda Socioeconomista e doutor em Educação)
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