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Menstruação, nunca mais
Como muitos de meus textos falavam de menstruação e o assunto parece esgotado, prometo que este texto é o ultimo que escrevo sobre o asunto. Daqui para a frente escrevo historias da Carochinha sobre outros aspectos da feminilidade.
Era uma vez um espécime que se pleoaptou. Vinda de uma geração de deusas, esta espécime fez-se humana e criativa. Ao contrário de um outro espécime que habitava a terra e só se adaptou, a espécime, pleoaptou-se a vida. Porque seus filhotes nasciam dependentes de seu leite, usou algumas glândulas sudoríparas da parte externa de seu tórax para que seu néctar nutrisse seus filhotes. Fez com que estas glândulas que só produziam suor até então, fornecessem uma seiva maravilhosa e chamou-as de mamas. E viu que isto era bom.
Mas seu parceiro sexual passou a acariciar suas glândulas fontes de energia, como ele acariciara os de sua mãe, lhe dando um prazer enorme. E se ele as acariciasse muito deliciosamente, estes toques transformavam-se em energia sexual e sua entrega ao ato de amor, mais libidinoso. E chamou-as de seios. E viu que isto era bom.
Algumas mulheres passaram a admirar estas glândulas e as elogiarem. Então ela criou roupas que suportassem seu volume e deixassem exposta sua pele macia e poderosa na área superior, tornando-a mais sensual, inclusive aos outros homens. E fez-se o decote. E viu que era bom.
Passou a ficar em pé para andar, e a sentar-se para descansar. Mas quando ficava muito tempo sentada lhe doía o final da coluna e ela pleoaptou seus músculos glúteos para tornar seu descanso mais confortável. E fez-se as nádegas no final de sua coluna, a região sacra ou sagrada. E chamou-as de nádegas e o homem viu que era bom. E até copiou-lhe a idéia. Mas a cópia não ficou tão perfeita como a original. E ele as chamou de bundas. E a dele ninguém achou bom.
A pele da espécime era coberta de pelos só lhe dava proteção ao frio e aos arranhões nas savanas africanas. Quando ela migrou para a Europa e passou a vestir-se com roupas feitas de fios de algodão, perdeu seus pelos, com exceção aos dos genitais e da parte superior da cabeça. E passou a gostar de ser acariciada em toda extensão de sua pele. E ela passou não mais a suar, mas exalar uma potente e atrativa alquimia que ela chamou de perfume. E viu que era bom.
Seus genitais pleoaptaram-se para os partos de seus bebês. Por lá eram gerados e também paridos. Pleoaptou-os também ao amor e deu-lhes um local misterioso ao sul da coluna e muito próximo as nádegas. A sua entrada chamou de ninfas. E cobriu-as como sensual pelugem com ares de jardim e chamou a este jardim de Monte de Vênus, sua ancestral e deusa do amor. As ninfas pleoaptaram-se ao amor eterno, podendo ser usados não só quando o cio biológico os solicitavam como nas fêmeas das outras espécimes. E viu que era bom.
Seu cérebro, sua hipófise, tireóide e ovários passaram a funcionar em um ritmo mensal, semelhante aos ciclos lunares, tendo metade deste tempo um período mágico de disponibilidade maior ao amor, alguns dias com fertilidade máxima, outros com uma perda de plasma com uma pitada de sangue de 3 dias, não espoliativa e nem desconfortável. E chamou-a de menstruação. E viu que era bom.
Seu corpo todo pleoaptou-se a feminilidade, e todos viram que era bom, com exceção de uns poucos cientistas metidos a alquimi$ta$. E decretaram que ser mulher e menstruar não era bom e acabaram com a ciclicidade feminina, usando os hormônios que fizeram com que os homens se adaptassem as guerras, a matar os filhos das mulheres livres, comandando as carnificinas de dentro de suas jaulas e poucos viram que os contos de Carochinha iria acabar em uma tragédia catastrófica e não era nada bom. E toda a espécime tornou-se semelhante ao espécime, desbundado e violento.
Pronto, não escrevo mais sobre este assunto inútil chamado menstruação.
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