Dr. Eliezer
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Ser a senhora de sua alma hormonal

Invictus


(Título Original: "Invictus")Autor: William E Henley
Tradutor: André C S Masini


Do fundo desta noite que persiste
A me envolver em breu - eterno e espesso,
A qualquer deus - se algum acaso existe,
Por mi’alma insubjugável agradeço.


Nas garras do destino e seus estragos,
Sob os golpes que o acaso atira e acerta,
Nunca me lamentei - e ainda trago
Minha cabeça - embora em sangue - ereta.


Além deste oceano de lamúria,
Somente o Horror das trevas se divisa;
Porém o tempo, a consumir-se em fúria,
Não me amedronta, nem me martiriza.


Por ser estreita a senda - eu não declino,
Nem por pesada a mão que o mundo espalma;
Eu sou dono e senhor de meu destino;
Eu sou o comandante de minha alma.


Assistir ao filme com o mesmo nome deste poema, nos traz uma forte mensagem que seria ótimo não esquecer nunca quem são “nossos outros senhores”. E refletir se realmente estamos conscientes das ações destes senhores que também habitam nosso corpo. Como sou um feminólogo (ser que crê na utopia de um dia entender as mulheres), posso sugerir que alguns destes outros senhores da alma feminina são seus hormônios.


A alma masculina (quando se consegue ter consciência de sua existência) tem uma Senhora um tanto quanto tirana chamada Testosterona.  Ou seja a Senhora Hormonal dos homens é feminina, “a” Testosterona. Mas desta procuraremos tratar(Ops! Quanta prepotencia!) em outro artigo.


Já a mulher por ser especial tem Senhores chamados Estrógenos nos primeiros quinze dias do seu ciclo menstrual, e uma Senhorita chamada  Progesterona nos quinze dias que se seguem ao dia em que ocorre a “ovulação”. Entre parêntesis porque na realidade nos dias do meio do ciclo, o processo de recrutamento de um óvulo já ocorreu e agora no décimo quarto dia em media, o que vai ocorrer é a saída do óvulo do interior do ovário para ir ao encontro de seu ansiado Príncipe Espermatozóide Fecundador, que passa por uma das trompas a sua procura. Caso eles não se encontrem, rui o Castelo que os esperava chamado Endométrio e a mulher menstrua. Dos doze aos cinqüenta e cinco anos este drama se repete mensalmente.


Nas garras do destino e seus estragos,
Sob os golpes que o acaso atira e acerta,
Nunca me lamentei - e ainda trago
Minha cabeça - embora em sangue - ereta
.


E aqui esta a questão crucial que eu transloucadamente posso associar entre poesia e endocrinologia feminina. Quando os Senhores Hormonais da mulher se desregulam, o primeiro resultado desta catástrofe  são as Molestias Pré Menstruais. E a mais famosa entre elas, a Sindrome Pré Menstrual vulgarmente chamada de TPM. Por seu caráter quase secreto ligado a intimidade das mulheres, o que se esperaria era que estas Molestias tais como a Síndrome Pré Menstrual/TPM, a Depressão da Menopausa, a Depressão Pós Parto ou até  mesmo a Síndrome da Fadiga Crônica Feminina, permanecessem como assunto a ser tratado em voz baixa nas conversas entre amigas e somente em voz alta, nos consultórios de ginecologia ou psiquiatria. Mas porque não associá-las a confusão dos Senhores da Alma feminina?


Se no período pós parto uma mamãe sofrer um grave desequilíbrio hormonal, ela passa a ser influenciada pelo Caos Hormonal e chegam a ocorrer tragédias como infanticídios, suicídios ou abandonos de crianças. O poder dos Senhores Hormonais podem ser causadores de Tsunamis existenciais femininos como as Disforias Luteais severas em que uma mulher que antes só sofria de TPM, comete um crime durante o período pré menstrual, sem que tenha consciência do ato que esta cometendo. Felizmente é amparada pela lei e pode até ser inocentada de seu crime, mas nunca salva de sua tragédia pessoal.


Além deste oceano de lamúria,
Somente o Horror das trevas se divisa;
Porém o tempo, a consumir-se em fúria,
Não me amedronta, nem me martiriza.


Felizmente para devolver ‘a mulher a capacidade de ser Senhora de sua alma e Capitã de seu destino, todas estas moléstias podem ser tratáveis muito antes das tragédias.


 É só se ter consciência de quem esta sendo quem em nossa alma hormonal.


E ser a dona e senhora de seu destino;
“E ser a comandante de minha alma”.